segunda-feira, 30 de maio de 2011

A Cabeça de Salomé








Ana Paula Tavares







Conta-se que Na-Palavra vivia a sua condição de serpente velha e maldita, guardando o território e a palavra, medindo o tempo na balança de cobre dos antepassados, os guardadores das fontes dos rios no nó do Kassai. Liberto de peso, começava os dias a desenhar na areia o desenho fundador: "Havia uma floresta e dentro dela um lugar único onde nasciam todos os frutos. As árvores expunham, ao vento solto, a sua idade, amarrada em colares delicadamente suspensos pelos troncos. Podiam, mesmo, ver-se os corações de tacula em dias mais claros ou sobre o sopro fresco da tarde."

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