
segunda-feira, 17 de março de 2008
Histórias Extraordinárias

domingo, 16 de março de 2008
O Trotskismo

Léo Figuères
(...)
quinta-feira, 13 de março de 2008
Poe-Mas Com-Sentidos

Domingo
Escandir então o silêncio se tardas a avizinhar-te do meu mundo e me entretenho meticulosa com as palavras, atenta entretanto aos teus passos à persistente tossezinha ecoando no túnel das escadas? para trás ficaram uma a uma todas as parcelas do dia, domingo de manhã tão extenso o sono recusa de acordar, que se somaram tantas horas de querer dormir mais um longo da semana e ter de voltar à vida.
terça-feira, 11 de março de 2008
Máscaras de Silêncio
segunda-feira, 10 de março de 2008
A Selva

Fato branco, engomado, luzidio, do melhor H.J. que teciam nas fábricas inglesas, o senhor Balbino, com o chapéu de palha a envolver-lhe em sombra metade do corpo alto e seco, entrou na "Flor da Amazonia" mais rabioso do que nunca. Ter andado de Herodes para Pilatos, batendo todo o sertão do Ceará no recrutamento de tabaréus receosos das febres amazonenses (...)
sexta-feira, 7 de março de 2008
Ema

Maria Teresa Horta
Ela olha em frente, sentada na sua cadeira de balouço: palhinha e madeira baça, lisa, onde passeia os dedos a deslizarem suaves; as unhas levemente a arranharem, mas só no gesto brando, prudente, não vá ficar alguma marca.
"Prudentemente. Não vá ficar alguma marca da tua passagem por aqui. Algum vestígio".
quinta-feira, 6 de março de 2008
Os Gatos

A Crise Teatral e seus factores
Com a abertura do novo Coliseu de Santo Antão, tornaram-se aflitivas as condições de existência dos nossos teatros, elas que já estavam singularmente críticas pela concorrência que o Coliseu da Rua Nova da Palma lhes movia. Por mais que esses pobres proscénios anunciem em cartazes de dois metros, os seus melhores trabalhos de comédia e drama, o público evidentemente desinteressa-se, deixa-lhes a sala às moscas, e corre a aplaudir as feras e os homens elásticos dos dois circos.
segunda-feira, 3 de março de 2008
Sacrifício de Dama

João Aniceto
Nesse sábado de manhã, a capital não parecia mais insuportável do que costuma ser, e eu aproveitei a aberta para visitar um conhecido alfarrabista situado nas Escadinhas do Duque. A tentação de descobrir mais uns livrinhos policiais para preencher os espaços vazios da minha biblioteca da especialidade aguçara-se ainda mais com a perspectiva de ter de aturar a solidão de longas horas molhadas naquelas férias de um Verão serôdio.
sábado, 1 de março de 2008
Breve Interpretação da História de Portugal

António Sérgio
(...)
quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008
Nomes Próprios
terça-feira, 26 de fevereiro de 2008
O Livro Branco da Melancolia
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Hamlet

Williams Shakespeare
(...)
sábado, 23 de fevereiro de 2008
O Rei Lear

(...)
sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Romeu e Julieta

Williams Shakespeare
(...)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
Vamos falar de Cinema

Garcia Escudero
Existe a sétima arte; a oitava arte, diz-se, é a de fazer dinheiro com a sétima. Esta fábrica de sonhos que é o cinema interessa às massas e converte-se imediatamente num negócio são. Os seus inventores, os irmãos Lumière, não o souberam ver. Quando Méliès quer comprar-lhes o seu invento, desiludem-no: "Não se vende, jovem, e agradeça-nos. À parte o seu interesse cientifico, não tem nenhum interesse comercial.". Méliès não acreditou neles, mas quando produz o sua "Viagem à Lua", que tem um comprimento de 280 metros, confessa que devia parecer louco (os filmes correntes não passavam de 60 metros). Mas Méliès não era comerciante: o seu filme deu muito dinheiro mas não a ele, que nem sequer o amortizou. (...)
terça-feira, 19 de fevereiro de 2008
António Gedeão
segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008
O Nosso Amargo Cancioneiro
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
As Origens do Fascismo

O Autor :
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Agora e na Hora da sua Morte

Passaram uns anos, eu já andava em Económicas, ía de eléctrico, não tinha carro, e um dia, quase a chegar ao Conde Barão, era muito cedo,as aulas começavam às oito, ía a estudar e de repente olhei pela janela e vi-a. Estava ali na paragem. O carro começou a andar e eu naquela coisa, desço, não desço, não desci.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
Os Vagabundos

Soprava do lado do mar um vento húmido e frio que espalhava, através da estepe, a melancolia pensativa da vaga que quebrava o seu ímpeto na margem, e o murmúrio das árvores na costa. Por vezes rajadas de vento traziam até ao braseiro folhas secas e amarelas reanimando a chama; a bruma nocturna do Outono estremecia à nossa volta e por vezes afastava-se durante um segundo, como que assustada, deixando ver à esquerda a estepe sem limites, à direita o mar infinito e na minha frente a silhueta de makar Tchudra, o velho cigano: vigiava os cavalos do seu campo, que se estendia até cerca de cinquenta passos de nós.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2008
Terras
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008
A Máscara e o Rosto
sábado, 9 de fevereiro de 2008
D.Quixote de la Mancha

Miguel de Cervantes
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
A Memória de Ver Matar e Morrer

Estas coisas sucediam na guerra e na paz podre dos dias e do tempo que não ía mudar ainda na nossa vida. Preso nas entranhas de uma revolta sempre muda, o velho Loneque ía metendo as unhas em sua perna inchada de doença, onde que a pele começava já a estalar um pouco em toda a parte uma comichão que apetecia rasgar e ferir, mesmo sem importar no sofrimento que daí viria depois. Falava então na sua voz fatigada, do fundo e do principio da alma, como quem estava a rezar no Deus esquecido de seu sofrimento:
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
A Morte do Palhaço
terça-feira, 5 de fevereiro de 2008
Palavras Cínicas
Foi em Dostoiewsky que eu encontrei um dia esta frase:"No fundo de cada um dos nossos contemporâneos residem latentes os instintos dum carrasco!"
Não tens tu encontrado, ó caricato, nas tuas horas de angústia, somente semblantes frios, corações empedernidos e ouvidos cerrados? Quantas vezes perguntaste onde estavam a Bondade humana, a justiça humana? Quem te respondeu? Inútil pergunta.
Ninguém.
domingo, 3 de fevereiro de 2008
Este Livro que vos Deixo

António Aleixo
Mote
Não dês esmola a santinhos,
Se queres ser bom cidadão;
Dá antes aos pobrezinhos
Uma fatia de pão.
Glosas
Não dês, porque a padralhada
Pega nas tuas esmolinhas
E compra frangos e galinhas
Para comer de tomatada;
E os santos não provam nada,
Nem o cheiro, coitadinhos...
Os padres bebem bons vinhos
Por taças finas, bonitas...
Se elas são p'ra parasitas,
Não dês esmola a santinhos.
sábado, 2 de fevereiro de 2008
A Divina Comédia

Dante Alighieri
(...)
Depois que no rosto de certos fixei os olhos,
nos quais o doloroso fogo cai,
não conheci nenhum; mas notei
que do pescoço de cada um pendia uma bolsa,
que tinha uma certa cor e certo sinal,
e os seus olhos aprasíam-se em comtemplá-las.
E como eu errava entre eles olhando,
vi uma bolsa de ouro com um campo azul,
que de um leão tinha a forma e atitude.
(...)
quinta-feira, 31 de janeiro de 2008
Adivinhação do Azul
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
A Evolução do Pensamento Humano

O Homem... Que admirável conceito! Que nobres sugestões nos evoca!... Quantas vezes ouvimos expressões deste género! Apesar disso, talvez ainda não tenhamos respondido à pergunta: mas afinal o que é o Homem? Como é, e como deverá ser?
terça-feira, 29 de janeiro de 2008
Gaibéus

- Eh, gente!... Eh!, mãos de lama!... Essas foices que não morram!...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2008
Poesias Inéditas
domingo, 27 de janeiro de 2008
As Pedras Negras
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Príncipes de Portugal

Leonor Infanta de Portugal e Imperatriz da Alemanha
Das quatro filhas que teve D.Duarte, a seguir a Filipa que morreu de peste, vinha Leonor, nada em 1447, tida por magnifica de carácter e graciosa de maneiras. Em verdade, mal chegou à nobilidade, começou a ser requerida dos prícipes da cristandade, entre os quais (...)
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
Docas Secas

Quando tocou a sirene, estavam nos seus postos. Hoje, continuavam a utilizar a suta que lhes permitia pingar duas peças de aço na posição exigida pelo desenho. Seiça ajeitava-se melhor, mas o Ferrão, cuja menor ferramenta que manejara fora o machado de lenhador nos pinheirais do norte, mostrava dificuldades e falta de paciência.
quarta-feira, 23 de janeiro de 2008
Antologia Panorâmica do Conto Açoriano

Os Pêssegos da Vida
Entre eles a harmonia era completa, não tinha lacunas. Todas as horas do principio, forças antigas que se debatiam e a que outros homens chamavam posse, instinto, domínio, se foram a pouco e pouco anulando e chegaram a uma postura de verme e concha ou talvez de matéria permanentemente interpenetrada.
segunda-feira, 21 de janeiro de 2008
Contos

Já naquellas idades, que uma alegria embebeda de exuberantes e puras phantasias, armavamos panellinhas de tres, quatro e cinco, para a brincadeira. Succedia ás vezes, que essas pequenas sociedades eram surprehendidas pelo mestre em pagodes reaes. Levavam todos com a regoa ou iam de joelhos todos, conforme.
domingo, 13 de janeiro de 2008
E Aconteceu um Desastre
quinta-feira, 3 de janeiro de 2008
O Darwinismo Hoje

Na ciência, como noutros domínios, o precurso das ideias não é linear. Aparecem, desaparecem, para tornarem a aparecer sob outras formas. Reagrupam-se para dar origem a teorias que terão mais ou menos êxito, maior ou menor longevidade. Algumas conseguem com bastante rapidez um consenso favorável, como por exemplo a Teoria da Relatividade. Outras acabam por ser mais ou menos geralmente rejeitadas, como, por exemplo, a teoria genética de Lysenko. Mas outras provocam intermináveis debates e dividem a comunidade científica. A evolução e os seus modelos explicativos encontram-se nesse último caso. Especialmente o Darwinismo continua a ser objecto de acesa discussão. Em que ponto estamos hoje? Como é que o Darwinismo chegou até nós? (...)
domingo, 30 de dezembro de 2007
Maria Moisés

(...)Nas férias da Páscoa, António de Queirós viu chorar Josefa. Não eram lágrimas de amante magoada, nem de filha malquista de seus pais: eram lágrimas de mãe. Entrara-se de uma terrível vergonha e confusão. Ninguém a suspeitava; e ela, se alguém a encarava a fito, estremecia. A mãe era cruel como as mulheres manchadas. No seu serviço não entrava jornaleira de má nota. Não se ajoelhava na igreja à beira de criatura de ruim vida. Dava-lhe esse direito haver sido filha humilde e esposa honrada do homem com quem a casaram,(...)
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
A Semente das Palavras

Colectânea de Contos -Vários Autores
Do Conto "O Embargo"
de José Saramago
sábado, 22 de dezembro de 2007
Cântico de Natal
Charles Dickenssexta-feira, 21 de dezembro de 2007
A Odisseia

Os Gregos eram ricos e gostavam de ser ricos. Mais estimavam, porém, a beleza. E por isso Helena, esposa de Meneleu, rei de Esparta, que era a mulher mais linda da Grécia, e cuja formusura deslumbrava o Mundo inteiro, resguardavam-na como tesouro sem par. Assim, ficaram indignados e furiosos no dia em que os Troianos, -povo do outro lado do mar que banha as costas ocidentais da Grécia - ciosos de tal fortuna, roubaram Helena e, com ela, ouro e prata aos montões.(...)
quarta-feira, 19 de dezembro de 2007
João Vêncio: os seus amores

José Luandino Vieira
Pois todo o dia ele desaparecia. Só regressava à noite, piruta. Bêbado piruta e então chamava a mulher e dava-lhe uma sova de surra. Batia com o mesmo jeito, o mesmo ritmo de pancadas de manhã, no malho dele. Ninguém ia separar: todos tinham vergonha, nenhum tinha coragem. A gente não queria estragar o que a gente pensava dele em todos dias do ano menos um. Eu então não dormia quase, de noite. Mas não era a pena da senhora, a raiva no Diodato - ele era manso, bolvexique, amigável.
terça-feira, 18 de dezembro de 2007
O Português que nos Pariu

Angela Dutra de Menezes
A batalha de Aljubarrota, que fixou as fronteiras portuguesas com a actual Espanha, criou duas dinastias: a de Aviz e a de Bragança. A primeira, logo entronizada, encerrou uma confusão familiar que extrapolou um tempinho para alcançar a coroa. Em compensação, tornou-se a casa real brasileira. Genuinamente brasileira: metade é conservadora; a outra metade, surfista - aí, xará, maior crowd e "seu" príncipe no meio.
domingo, 16 de dezembro de 2007
O Velho e o Mar

Ernest Hemingway
O velho bebeu devagar o seu café. Era quanto comeria o dia inteiro, e sabia que precisava de o tomar. Havia muito tempo que o maçava comer, e nunca levava merenda. Na proa do barco tinha uma garrafa de água, e de mais não precisava.
O rapaz voltou com as sardinhas e as iscas embrulhadas num jornal, e desceram até ao esquife, sentindo debaixo dos pés a areia e os seixos, e pegaram no esquife e meteram-no ao mar.
- Boa sorte, meu velho.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Cântico do Homem

S.O.S.
Vai ao fundo o navio,
Sei que ninguém acode à íntima certeza
quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
A Estrela de Seis Pontas

Naquela rua animada por intenso movimento de carros e peões, estendia-se ao longo do passeio uma vistosa fachada com belos torreões e numerosas janelas circundadas de pedra branca. O edifício prolongava-se para um lado e para o outro por um alto muro bordado de ameias da mesma pedra. À primeira vista dir-se-ía o antigo castelo de um grande senhor, sugerindo, para lá dos muros, a frescura de parques e jardins. Alguns pormenores destoavam porém dessa primeira impressão. As janelas, ainda que de elegante recorte, eram gradeadas (...)
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
A Eneida

Livro Primeiro
Eu, que noutros tempos entoei cantares ao som de leve flauta, e que deixando as selvas obriguei os campos vizinhos a obedecerem ao lavrador, mesmo sendo ele avarento, obra grata aos agricultores, canto hoje as terríveis armas de Marte e o varão que, fugindo das margens de Tróia devido ao rigor dos fados, foi o primeiro a pisar as costas de Itália e as costas lavínias. Largo tempo andou errante por terra e por mar, arrastado pelos deuses, pelo furor da rancorosa Juno. Muito padeceu na guerra antes de conseguir edificar a grande cidade e levar os seus deuses ao Lácio, de onde vem a linhagem latina e os senadores Albanos, e as muralhas da soberba Roma.
domingo, 9 de dezembro de 2007
O Mundo do Fim do Mundo

Luis Sepúlveda
(...)
Também o Moby Dick se encontrava em reparações e, logo que saísse da doca seca de Bremen, rumaria ao Atlântico Norte para impedir a caça de baleias praticada por noruegueses, suecos, dinamarqueses, islandeses, norte-americanos e russos em embarcações camufladas sob bandeiras de países pobres para violarem as leis internacionais com maior impunidade.(...)
sexta-feira, 7 de dezembro de 2007
Eu Canto para que os Desertos Fiquem à Sombra
Autor Desconhecido(Letras de canções de intervenção,publicado sem censura prévia da PIDE)
Margem Sul
Letra - Urbano Tavares Rodrigues
Música - Adriano Correia de Oliveira
Ó Alentejo dos pobres
Reino de desolação
Não sirvas quem te despreza
A tua, a tua, Nação.
Não vás a terras alheias
Lançar sementes de morte
É na terra do teu pão
Que se joga a tua sorte.
Terra sangrenta de Serpa
Terra morena de Moura
Vilas de angústias em botão
Ver cerrada em Baleizão
Ó margem esquerda do verão
Mais quente de Portugal
Margem esquerda deste amor
Feito de fome e de sal.
Foice dos teus ceifeiros
Trago no peito gravada
Ó minha terra morena
Como bandeira sonhada.















