domingo, 2 de agosto de 2009

Lazarilho de Tormes







Autor Anónimo




Lazarilho de Tormes é a primeira novela picaresca da literatura espanhola, datando de 1554 a edição prínceps. Novela de autor anónimo, construída em termos autobiográficos, nela são narradas as aventuras e desventuras do protagonista, numa linguagem simples a que não falta um tom de realismo e crueza. O Prefácio de Gregório Maranón, que, neste volume, antecede o texto da novela, constitui um inegável complemento de interesse para a sua leitura.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Constituição da República Portuguesa






Imprensa Nacional - Casa da Moeda


Princípios fundamentais





Artigo 1º
(República Portuguesa)

Portugal é uma República soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na sua transformação numa sociedade sem classes.

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Constituição Política sa República Portuguesa 1976



Projectos,votações e posições dos partidos



Reinaldo Caldeira e Maria do Céu Silva




Regimento da Assembleia Constituinte

Título 1
Disposições Gerais

Artigo 1º
(Estrutura e função)

A Assembleia Constituinte,eleita em 25 de Abril de 1975 em concretização do Programa do Movimento das Forças Armadas, é a assembleia representativa do Povo Português para elaboração da Constituição Política da República Portuguesa e regula-se pelo presente Regimento.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Gabriela, Cravo e Canela







Jorge Amado





(...)
Dona Arminda, espírita, língua viperina, mãe de Chico Moleza, rapazola empregado no bar de Nacib, era parteira afamada: inúmeros ilheenses, nos últimos vinte anos, tinham nascido em suas mãos, e as primeiras sensações do mundo a sentirem foram seu activo ccheiro de alho e sua face avermelhada de sarará.
- E dona Clorinda, já teve menino? O dr. Raul não apareceu no bar ontem...
- Já, omtem à tarde. Mas chamaram o médico, esse tal de dr. Demósthenes. Essas novidades d'agora. O senhor não acha uma indecência médico pegar criança? Ver mulher dos outros toda nua? Sem-vergonhice...
(...)

sábado, 11 de julho de 2009

Virgem






Michèle Curcio





(...)
Um nativo da Virgem chama a atenção, mesmo às pessoas que pouco o conhecem, pela sua dificuldade em se adaptar ao mundo exterior e em se integrar no meio ambiente. É um ser que parece não pertencer ao mundo em que se encontra.
(...)
Ele não se instala: parece estar sempre pronto a recomeçar. Espiritualmente não é um sedentário, ainda que, frequentemente, o seja, devido à importância que têm para ele os factos concretos, as condições materiais de existência.
(...)
São tão sensíveis como qualquer outra pessoa, fimgem ser frios, reservados, e cultivam um estilo fleumático por receio que os seus sentimentos tenham eco e isso os comprometa.
(...)

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Respondo por Todo





Yuri Guerman




(...)
El abuelo sintióse algo ofendido; pero, como conocia bien la vida, no lo manifestó en lo más mínimo: comprendia perfectamente que la suya dependría mucho de la benevolencia de aquella rápida e enojada dama...
- ?Guisan con carbón? -inquirió-. No se preocupe, encontraremos cuando haga falta; sólo que yo no soy el carbonero, sino el padre del almirante, acabamos de llegar en el expreso de Moscú...
En aquel momento, la cocinera sacó del horno un asador com algo reseco y, apartando al abuelo de su paso, empezó a soltar maldiciones contra el horno que "quemaba" por encima y no "cogia" por debajo.
(...)

sábado, 4 de julho de 2009

Tieta do Agreste






Jorge Amado



(...)
Tá me chamando, Mãe? - ao notar Elisa, acrescenta:- Bênção,Tia.
Respira saúde e satisfação, não percebe de imediato a atmofera fúnebre da sala. Pela terceira vez, ante a presença do filho, Perpétua enxuga as lágrimas escassas mas, finalmente, visíveis. O adolescente dá-se conta, põe-se sério:
- Aconteceu alguma coisa ao Avõ? De manhã cedinho, quando fui ajudar a missa, vi ele na feira fazendo compras...
Perpétua ordena:
- Vá buscar uma vela benta, acenda no oratório. Tua ti Antonieta, coitada...
- Tia Tieta? Morreu?
(...)

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Platonov





Anton Tchekov






quinta-feira, 25 de junho de 2009

Venâncio e outras histórias






Joaquim Paço d'Arcos



(...)
No ambiente sereno, um pouco dormente, do antiquário famoso, as palavras eram quase ciciadas, os gestos escassos, as emoções anuladas. Eu quisera levar àquela sala a sombra de Byron; retorquíam-me com a sua cotação comercial. Não que Mr. Lorant e seus estranhos comparsas fossem insensíveis ao valor daquela evocação; ao contrário, eles eram, na cidade chaguentadum materialismo supurado, os últimos guardiães da riqueza espiritual das coisas antigas e raras que do passado vieram até nós. Folhearam com voluptuosidade o volume que, pertença do poeta, encarquinhara as páginas, em Missolonghi, com a dor do seu último gemido; chamaram, para que admirasse a relíquia, aquela mulher curiosa doutros livros.(...)

sábado, 20 de junho de 2009

Fausto






Goethe



(...)
Fausto - Um pântano alastra ao longo das montanhas, e infecta tudo o que adquirimos até agora. Secar esse tântano mefítico seria o coroamento dos nossos trabalhos. Eu ofereceria vastas planícies a milhões de homens, para que eles pudessem viver em liberdade, senão em segurança. Eis os campos verdejantes e férteis, homens e rebanhos repousam à vontade sobre as novas terras, ligados pelo firme poder das colinas que erguem com o seu trabalho ardente. Um paraíso na terra! Que lá fora as vagas marulhem nas margens; à medida que chocam para abrir uma passagem, nós próprios nos apressamos a encher a brecha.(...)

terça-feira, 16 de junho de 2009

A Invenção das Populações






Hervé le Bras




Definir uma população representa um acto de força: impõe-se a um conjunto de indivíduos uma categoria, que irá a partir de então catalogá-los e, eventualmente, constranger a sua acção.
Agrupar um determinado número de humanos segundo um critério permite ao grupo existir como um ser animado e agir como tal: a população irá aumentar, diminuir, deslocar-se, dividir-se como um gigantesco pólipo com os seus pseudópodes.(...)

sábado, 13 de junho de 2009

Antologia da Poesia Brasileira






José Valle de Figueiredo




Cerca de noventa poetas do Brasil, entre maiores e menores e estendendo-se ao longo de quatro séculos, se reúnem nesta Antologia. Não só eles próprios se nos apresentam aqui através de alguns dos seus melhlores poemas, como cada um deles nos é apresentado numa breve nota biobibliográfica e crítica. Acima de tudo, porém, esta obra "pretende ser, mais do que uma consignação de poetas, uma declamação de poemas".

quarta-feira, 10 de junho de 2009

As Lições de Outubro






L. Trotsky



Se é verdade que na revolução de Outubro tivemos sorte, outro tanto não se poderá dizer do seu lugar na literatura. Ainda não dispomos de uma única obra que dê um quadro geral da revolução de Outubro, fazendo sobressair os seus principais momentos do ponto de vista político e organizativo. Além disso, não foram editados os materiais que caracterizam os diferentes aspectos da preparação da revolução ou a própria revolução.(...)

domingo, 7 de junho de 2009

Questões Sobre a História da Literatura Portuguesa




4ª Edição


Alexandre C. Costa



(...)
Enquanto que GilVicente fez uma visão objectiva e real da sociedade do seu tempo, Bernardim Ribeiro, pelo contrário, faz uma ideia subjectiva do mundo e a análise da vida interior, tudo aliado a um certo realismi objectivo e a um realismo psicológico. Podemos, pois, dizer que Bernardim Ribeiro é como que um complemento da obra de Gil Vicente.

terça-feira, 2 de junho de 2009

A Internacional - A Comuna






Marx - Engels



(Marx a Friedrich Bolte)

Londres, 23 de Novembro 1871


...A Internacional foi fundada para substituir as seitas socialistas ou semi-socialistas pela organização real da classe operária. Os estatutos primitivos assim como a Declaração inaugural mostram-no-lo à primeira vista. A Internacional, por seu lado, não teria podido afirmar-se se o curso da história não tivesse já pulverizado o mundo das seitas. A evolução da sectarismo socialista e a do verdadeiro movimento operário vão constantemente no sentido inverso.(...)

sábado, 30 de maio de 2009

O Casamento Ardiloso






Cervantes




Saía do Hospital da Ressurreição em Valhadolid, que fica fora da Porta do Campo, um soldado que por servir-se da espada como bordão, pela magreza das pernas e pela palidez do rosto mostrava bem claramente, embora o tempo não corresse muito calmoso, ter suado em vinte dias todos os humores acumulados numa hora. Marchava desenhando quatros com os joelhos e dando tropeções nas pedras, como um convalescente de moléstia grave, e ao entrar pela porta da cidade viu vir em sentido contrário um amigo que não via há mais de seis meses, o qual, benzendo-se como quem vê coisa má, se aproxima dele e disse:
- Pois que é isto, senhor alferes Campuzano?! É possível que vossa mercê se encontre nesta terra? (...)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Manon Lescaut







Abade Prévost



(...)
Não tive a menor informação desta visita. Sabe-se que há nestes lugares gabinetes particulares para as damas, onde ficam ocultas por uma gelosia. Regressei a São Sulpício coberto de glória e cheio de cumprimentos.
Eram seis horas da tarde.
Foram avisar-me, um momento depois da minha chegada, de que uma dama me queria ver. Fui ao parlatório imediatamente.
Meu Deus!, que assombrosa aparição!
(...)

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Menina e Moça






Bernardim Ribeiro




(...)
Levava-a após si a água e as folhas após ela, e quisera-a eu ir tomar; mas pela corrente que ali fazia e pelo mato que de ali para baixo acerca do rio logo estava, prestamente se alongou da vista.
O coração me doeu tanto então em ver tão asinha morto quem dantes tão pouco havia que vira estar cantando, que não pude ter as lágrimas.
Certamente que por cousa do mundo, depois que perdi outra cousa, me não pareceu a mim que chorasse de vontade; mas em parte este meu cuidado não foi em vão, porque ainda que a desventura dessa avezinha fosse tão de minhas lágrimas, lá ao sair delas foram juntas outras muitas lembranças tristes.
(...)

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Como Programar o seu ZX Spectrum


* NR - a nostalgia



Tim Hartnell e Dilwyn Jones




Se bem que, à primeira vista, o teclado do Spectrum possa parecer um tanto complexo, não é de facto difícil de dominar desde que seja cuidadoso nas primeiras fases do trabalho com ele.
As duas teclas mais importantes são as de mudança de modo: a CAPS SHIFT (canto inferior esquerdo) e a SYMBOL SHIFT (segunda tecla do canto inferior direito). Procure descobri-las.
(...)

sexta-feira, 15 de maio de 2009

O Príncipe e A Arte da Guerra






Maquiavel




de " O Príncipe"

(...)
Logo, para não se ver em contingêmcias de pilhar os seus súbditos, para ter meios de defesa, para não se tornar pobre e mesquinho e para nãpo se ver obrigado a roubar e a forçar, um príncipe deve importar-se pouco que lhe chamem somítico, pois esse é um dos vícios que lhe permitem reinar। E se alguém me disser que, mercê da sua liberalidade, Júlio César chegou a imperador de Roma e que vários outros, por terem sido liberais, de facto e na opinião alheia conquistaram lugares uito elevados, responderei: ou és um príncipe já feito, ou vais a caminho de o ser.
(...)

terça-feira, 12 de maio de 2009

A Queda







Albert Camus





(...)
Devo humildemente reconhecê-lo, meu caro compatriota, fui sempre um poço de vaidade. Eu, eu, eu, eis o refrão da minha querida vida e que se ouvia em tudo quanto eu disse. Nunca pude falar senão gabando-me, sobretudo se o fazia com esta ruidosa discrição cujo segredo era meu. É bem verdade que eu sempre vivi livre e poderoso. Simplesmente, simplesmente sentia-me liberto em relação a todos pela excelente razão que me considerava sem igual.(...)

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Hamlet






William Shakespeare




(...)
Raínha - oh Hamlet, não digas mais nada! Forças-me a voltar os olhos para o interior da minha própria alma, e vejo nela manchas tão negras e tão grandes, que nunca poderão apagar-se!

Hamlet - e tudo só para viver no hediondo suor de um leito infecto, empastado na corrupção, entregando o corpo e multiplicando as carícias numa fétida sentina!
(...)

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Ensaios






Michel de Montaigne




"A vida não é, considerada em si mesma, nem um bem nem um mal; é uma ou outra coisa segundo as nossas acções. Se vivemos um dia vêmo-la toda: um dia é igual a sempre. Não há outra luz nem outra obscuridade distintas, esse Sol, essa Lua, essas estrelas, essa harmonia das estações é idêntica à que os nossos avós gozaram e comtemplaram, a mesma que comtemplarão os nossos netos e tetranetos."

quinta-feira, 30 de abril de 2009

* Manual de Programação Avançada do ZX Spectrum


* (Regresso ao passado)



John Lettice



Depois de o leitor entrar em contacto com os aspectos básicos de programação do Spectrum, começará provavelmente a pensar sobre a direcção que deverá tomar em seguida. Deverá começar a aprender código-máquina, deverá comprar um Assembler, ou deve tentar criar programas mais estruturados?
Destes três rumos o terceiro é provavelmente o amis fácil de aprender, mas é muitas vezes o mais difícil de manter, especialmente numa máquina como o Spectrum, (...)

segunda-feira, 27 de abril de 2009

As Mentiras de Marcelo Caetano






Cor.António Cruz e Vitoriano Rosa




(...)
"Tinha considerado encerrada a minha carreira política..."
Com esta mentira, Marcelo Caetano silencia as suas ligações com Botelho Moniz e Craveiro Lopes, a quando da tentativa de golpe de EStado de 1961, que deveria ter conduzido Salazar à Suiça, a terminar tranquilamente ali os seus dias; silencia os livros políticos que publicou, os artigoss que escreveu, a sua permanência pelo cordão umbilical (apesar das tentações de trair o mestre, na sofreguidão de alcançar o poder) no seio do Conselho de Estado, onde mantinha lugar vitalício...
(...)

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Antígona - Ájax - Rei Édipo





Sófocles

in "Rei Édipo"



CORIFEU - Nós pensamos que as suas palavras traduziram ira como, aliás, as tuas, Édipo! Convém reflectirmos sobre as coisas, não como haveis procedido, mas procurando maneira de melhor resolver os divinos oráculos.

TIRÉSIAS - És, na verdade, o rei; mas terás de considerar-me em plano igual ao teu, para poder responder-te, ponto por ponto, pois, também tenho poder e não vivo submetido a ti, mas a Lóxias, como escravo. Arreda da tua ideia o julgar-me incluído entre os apaniguados de Creonte. (...)

domingo, 19 de abril de 2009

O Outro Lado do Texto






Eduarda Dionísio, Margarida Carneiro da Silva e Helena Domingos



O Outro Lado do Texto é, em grande parte, o resultado do trabalho colectivo que os professores de Português fizeram no Liceu Camões logo após o 25 de Abril.
Muitos dos textos aqui apresentados e também alguns "guias de leituta" são conhecidos dos professores (e estudantes) que têm dado (ou frequentado) o curso complementar nesta escola.
Não se trata, com este livro, de fazer um curso abreviado e simplificado de Linguistica e de Teoria da Literatura, cedendo à tendência que por vezes há de assim considerar a primeira parte do curso complementar de Português.(...)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Literatura de Expressão Portuguesa nos Estados Unidos






Fausto Avendaño




Os primeiros imigrantes de origem lusa nos Estados Unidos da América do Norte vieram principalmente dos arquipélagos do Atlântico. Eles trouxeram consigo a língua, costumes e tradições de Portugal. A literatura que desse núcleo humano se produziu foi, portanto, uma literatura ferreamente arreigada na vida e experiência do que viria a chamar-se o luso-americano. (...)

segunda-feira, 13 de abril de 2009

História e Ciências Sociais







Fernand Braudel



(...)
A posição dos etnógrafos e dos etnólogos não é nem tão clara nem tão alarmante. É bem verdade que alguns deles sublinharam a impossibilidade (mas ao impossível estão submetidos todos os intelectuais) e a inutilidade da história, no interior do seu ofício. Esta rejeição autoritária da história apenas serviu para diminuir a contribuição de Malinowski e dos seus disciplos.
(...)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

O LIvro da Segunda Classe



Editora A Educação Nacional.Lda




As Serras


Já alguma vez subiste ao alto duma serra? -A um monte segue-se outro monte mais alto, e a este um outro, e mais outro...
E a gente vai subindo, subindo para o céu! Cada vez a nossa vista alcança mais ao longe. As núvens rodeiam-nos e, às vezes, já ficam debaixo de nós. O ar torna-se mais puro e leve. Apetece respirar fundo, dilatar o peito e encher os pulmões daquele ar puríssimo.
Como são saudáveis as serras!

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Histórias de Mistério e Imaginação






Edgar Allan Poe



Os nossos livros, os livros que durante anos tinham constituido uma parte bastante razoável da existência mental daquele inválido, estavam, como se poderá supor, em estreita conformidade com aquele carácter de visionário. Juntos esquadrilhávamos obras tais como Ververt et Chartreuse, de Gresst; Belfegor, de Maquiavel; O Céu e o Inferno, de Swedenbor; A Viagem Subterrânea de Nicholas Klimn, de Holdberg; (...)

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Raízes da Expansão Portuguesa






Borges Coelho



O Malogro de Tânger

Com a subida ao trono de D.Duarte, o poder afasta-se cada vez mais das comunas vilãs para regressar às mãos da velha nobreza tradicional que procura agregar a si as camadas mais ricas da burguesia rural e dos portos.
Quem é D.Duarte? Um rei sem vontade, um "homem de pouca barba e de olhos moles?"
O Leal Conselheiro inculca um homem ilustrado e sensível e os Regimentos, escritos pelo seu punho,apontam-no como um dirigente esclarecido e sagaz. D.Duarte não parece ser um joguete nas mãos da mulher ou do irmão, mas um rei que escolheu o seu caminho e este é o caminho do robustecimento das posições da nobreza territorial, do tal casamento de conveniência com a nova nobreza.

segunda-feira, 30 de março de 2009

O Adesivo





Miguel Barbosa



A Ceia

O meu primeiro contacto de escritor e de homem com um censor, animal de baixo porte e moral duvidosa porque vê nos outros o que quase sempre traz em si, foi em 1955, quando publiquei o primeiro livro de contos. Eram pequenas histórias nimbadas de ingenuidade e em que a esperança era mais forte do que a realidade! O tipógrafo, homem temeroso das leis e da polícia política, forçou-me a mandar o livro à censura, "para nos livrarmos de responsabilidades", dizia.

quinta-feira, 26 de março de 2009

O Avarento





Molière



(...)
Valério - Quem pensa no vosso dinheiro, no meio desta embrulhada?

Harpagão - Sim. Comprometeram-se a casar um com o outro. Esta afronta diz-vos respeito, senhor Anselmo. Deveis participar dele e empregar todos os recursos da Justiça para vos vingardes da sua insolência.

Anselmo - Loge de mim que me aceitem à força! Nada pretendo dum coração que já pertence a outrem. Quanto aos vossos interesses, defendê-los-ei como se meus fossem.

Harpagão - Aqui está um honesto Comissário, senhor, que me assegurou não descurar os seus serviços. (para o Comissário, apontando Valério.) Acusai-o como convém, senhor, provando-o bem culpado.

(...)

segunda-feira, 23 de março de 2009

Auto da Barca do Inferno





Gil Vicente
(Edição escolar de Amélia Pinto Pais)





(...)
Onz.
Dix! Nom vou eu em tal barca.
Estoutra tem avantagem.

Vai-se à barca do Anjo e diz:

Hou da barca! Houlá! Hou!
Haveis logo de partir?

Anjo
E onde queres tu ir?
Onz.
Eu pera o Paraíso vou.
Anjo
Pois cant'eu mui fora estou
de te levar para lá.
Essa barca que lá está
vai pera quem te enganou.
(...)

sexta-feira, 20 de março de 2009

Werther






Goethe



(...)
Receio que o embaixador e eu não estejamos muito tempo de acordo. Esse homem é absolutamente insuportável: a sua maneira de trabalhar e dirigir os negócios é tão ridícula que não posso deixar de o contrariar resolvendo pela minha cabeça, o que naturalmente não é de molde a agradar-lhe. Queixou-se disso ultimamente na Corte. O ministro deu-me uma reprimenda, branda na verdade, mas enfim uma reprimenda, e eu estava a ponto de pedir a minha demissão, quando recebi uma carta particular dele, (...)

quarta-feira, 18 de março de 2009

A Estranha Morte do Prof. Antena






Mário de Sá-Carneiro




(...)
Dentro de dois meses, no princípio de Agosto, partiria para Lisboa a ocupar-se da edição. O livro seria lançado em Novembro. Aproveitaria a época morta para o imprimir. E como se dava um grande júbilo -mesmo a sua viagem a Lisboa onde tinha dois ou três amigos reais- as suas saudades não o fazia, com efeito sofrer embrenhadamente, nem em muita amargura.
(...)

segunda-feira, 16 de março de 2009

Oficina de Artes





Ilídio Pina,Paulo Simões Nunes e Sérgio Ferreira




Oficina de Artes é um guia de trabalho para alunos e professores, estruturado para o apoio às actividades de aprendizagem no âmbito do programa da disciplina. Neste sentido, adoptámos nas abordagens dos núcleos temáticos uma metodogia de trabalho que releva da noção do ofício e do caracter experimental que lhe está inerente.

quinta-feira, 12 de março de 2009

Bonecos de Luz






Romeu Correia




O dia fora pequeno para a Miquelina andar pegada ao gorducho, o que fez o velho Paulino não tocar no barro, pois, ao encarar, de madrugada, o lençol içado sobre o curral, desarvorou para a estrada.
Restava-me a companhia do cara triste do Lopes, e aqum me colei na mira de assistir ao conserto da engenhoca... Mas o homenzinho contrariou-me, consumindo as horas de sol à cata de grilos. Uma palha por entre os dedos, ele esteve horas com o nariz rente aos buraquinhos do chão.
Em dada altura, intrometi-me:
(...)

terça-feira, 10 de março de 2009

A Inocência e o Pecado






Graham Greene



O rapaz levantou a mão para bater nas costas de Spicer, mas deixou-a cair novamente. O grupo de judeus esperava, em formação cerrada.
-Talvez... -disse o rapaz. Olhou em redor: não havia fim para aquilo que ele começara. Um ímpeto de crueldade se lhe acendeu no ventre. Tornou a levantar a mão e deu uma palmadinha nas costas de Spicer. -Desejo-te felicidades- pronunciou, numa voz aguda e rachada de adolescente, e bateu-lhe mais uma vez nas costas.
Os judeus cercaram-nos, num movimento de conjunto. Ouviu Spicer gritar:"Pinkie!" e viu-o cair. (...)

sábado, 7 de março de 2009

Contos de Cantuária






Geoffrey Chaucer



Conto do Cavaleiro

Contam antigas histórias que noutro tempo houve, na cidade de Atenas, um grande duque chamado Teseu, senhor e governador da povoação, que era conquistador de tanto mérito que não havia sob o sol outro que o igualasse em fama. Submeteu muitas e ricas comarcas, conquistando depois, graças ao seu engenho e bravura, o reino de Femínia, que anteriormente se chamava Cítia. Aí casou com a raínha Hipólita, a qual, com muitas honras e grande solenidade, levou para a sua terra. Com eles partia também Emília, irmã mais nova de Hipólita, e (...)

terça-feira, 3 de março de 2009

Contos Breves






Alexandre Puchkine



A Casinha solitária da Ilha Basílio


Quem teve ocasião de dar um passeio em redor da Ilha Basílio, em Petersburgo, terá observado que os seus extremos se parecem muito pouco. A orla oriental, erguida com uma sumptuosa fileira de enormes edifícios de pedra; a parte setentrional, em fente da ilhota de Pedro, penetra como uma língua nas sonolentas águas da baía. À medida que nos aproximamos desta extremidade, os edifícios de pedra, mais raros, cedem o lugar a casotas de madeira.
(...)

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Poesia Lírica






Luis de Camões




Os chamados disparates da Índia



Este mundo es el camino
Adó hay ducientos vaos,
Ou por onde bons e maus
Todos somos del merino.
Mas os maus são de teor
Que, dês me mudam a cor,
Chamam logo a el-rei compadre;
E enfim, desejadlos, mi madre,
Que sempre têm um sabor
De quem torto nasce, tarde se endireita.

(...)

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Poesia Completa 2





Maria Teresa Horta



O meu desejo



Afaga devagar as minhas
pernas

Entreabre devagar os meus
joelhos

Morde devagar o que é
negado

Bebe devagar o meu
desejo

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

O Desencantador de Serpentes







José Jorge Letria




de: O Homem cinzento


O pequeno homem cinzento
Afronta o rígido olhar da rua
com uma cartola negra,
uma bengala de madeira rara,
o inseguro passo sobre as pontes.
Considera-se igual às sombras,
feito com a transparente matéria
dos sonhos e não ousa dizer de si
mais do que o nome, o endereço,
(...)

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Introdução à Linguística






Jean Perrot



O objectivo da linguística é o estudo científico das línguas; ele abrange um fenómeno de múltiplos aspectos, a linguagem, nas suas manifestações que são as línguas.
A linguagem, exteriormente, apresenta-se como um instrumento de comunicação entre os homens; aparece em todos os lugares em que os homens vivem em sociedade e é sempre um instrumento de comunicação.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Tempo de Gaivotas






Humberto Sotto Mayor



Zodíaco

Violeta
é a minha flor...
Verde, a minha cor...
Esmeralda
a minha pedra...
O resto...

É merda!

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Da Liberdade Mitificada à Liberdade Subvertida





José Tengarrinha



A modificação que se dá no conteúdo essencial da censura no último quartel do século XVIII (independentemente das formas que assumiu) tem a ver com o convulsionamento que então se regista da sociedade portuguesa e, também, os ecos que a ela chegam das perturbações exteriores.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

O Nome das Coisas





Sophia de Mello Breyner Andresen



Retrato de mulher

Algo de cereal e de campestre
Algo de simples em sua claridade
Algo sorri em sua austeridade